Creci-SP: preço de imóveis usados sobe mais que inflação em 2008

31/10/2008


No ano em que muitos investimentos financeiros foram abalados com a crise mundial de crédito, os imóveis na cidade de São Paulo têm se saído bem. Segundo pesquisa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), 13 de 15 tipos de apartamentos consultados na capital paulista tiveram valorização no ano, até setembro, superior à poupança e à inflação.

A valorização dos apartamentos usados variou de um mínimo de 6,21% a um máximo de 187,97%. A alta foi suficiente para gerar um ganho real em relação à inflação. O índice de inflação oficial do governo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 5,24% em 2008, até o nono mês do ano. Entre janeiro e setembro, a poupança acumula rendimento de 5,64%.

Os preços das casas tiveram valorização menor que os dos apartamentos usados. A menor valorização foi de 1,93% no período, e a maior, de 73,45%. A maior queda de preços de casas usadas foi de 26,49%.

Segundo o presidente do Creci-SP José Augusto Viana Neto, a valorização decorre de uma série de fatores, como o déficit habitacional estimado em 1,2 milhão de moradias na capital, o crescimento da renda de parte da população e até mesmo o medo da crise financeira. Tradicionalmente, os imóveis são vistos como um porto seguro. Viana Neto diz estar pesquisando se os preços dos imóveis usados aumentaram também em conseqüência da entrada de investidores que tinham aplicações no mercado financeiro.

Periferia registra menor valorização

O aumento de 6,21% no período janeiro-setembro foi registrado pelo CRECI-SP no preço de apartamentos de padrão médio, construídos entre 8 e 15 anos e situados em bairros como Lauzane Paulista e Guaianases. O preço médio do metro quadrado desse tipo de imóvel passou de R$ 1.176,92 para R$ 1.250,00 no período.

A maior variação, de 187,97%, foi encontrada no grupo de bairros que incluem Limão, Pari e Veleiros. O preço médio de apartamentos do padrão Standard construídos há mais de 15 anos, estava cotado a R$ 527,50 em janeiro e pulou para R$ 1.519,05 em setembro.

Em setembro, as 447 imobiliárias pesquisadas venderam 196 imóveis, sendo a maioria (67,35%) casas. Esse volume de vendas representou um crescimento de 8,99% em relação a agosto. A maioria das vendas foi feita à vista (55,03% do total) e, pela primeira vez desde janeiro de 2005, não se registrou nenhuma venda por consórcio.

Aluguel residencial também tem reajuste forte

Na pesquisa de aluguéis, foram consultados 19 tipos de apartamentos, dos quais 18 acumularam variação acima da inflação no período. A uma única exceção foi o grupo de apartamentos de um dormitório situados na região de bairros como Brasilândia, Cangaíba, Capão Redondo e Cidade Dutra. O aluguel aumentou somente 4,35% no período, passando de R$ 287,50 em janeiro para R$ 300,00 em setembro.

Em bairros como Liberdade, Limão, Pari, Pirituba e Penha, os aluguéis sofreram forte reajuste. O aluguel médio dos apartamentos de três dormitórios, por exemplo, dobrou, passando de R$ 694,38 para R$1.390,91.

Em setembro, as 447 imobiliárias consultadas alugaram 890 imóveis na capital, o que representou um aumento de 3,15% no número de novas locações. As casas foram as preferidas dos novos locatários, com 54,94% do total.

http://aeinvestimentos.limao.com.br:80/financas/fin18917.shtm


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