Imóvel que cabe no seu bolso
04/04/2009
A aquisição de um imóvel por meio de financiamento é o método mais comum e usual para quem deseja concretizar o sonho da casa própria no Brasil. Para mostrar aos leitores as opções que o mercado oferece aos futuros mutuários, damos sequência ao assunto abordado por este caderno na edição 1,057, onde iniciamos um bê-a-bá do financiamento imobiliário. Na oportunidade, falamos do sistema de crédito bancário e dos cuidados que o cliente deve ter para não ver o sonho da casa própria se tornar um transtorno.
Nesta edição falaremos de consórcio imobiliário, carta de crédito SBPE e financiamento direto com a construtora. Assim como nas instituições financeiras, cada uma das modalidades de financiamento citadas possui regras e normas peculiares ao seu sistema. Prestar atenção aos prazos, taxas, juros, multas, valor da prestação, tempo de pagamento e ler atentamente o contrato antes de assiná-lo são cuidados simples, mas de suma importância para evitar problemas futuros.
Cláudio Boriola, consultor financeiro, especialista em economia doméstica e direitos do consumidor e presidente da Boriola Consultoria, recomenda atenção e cautela para quem está pensando em adquirir um financiamento de imóveis. Para Boriola, o futuro comprador deve verificar se não compensa investir o dinheiro até que seja possível comprar o imóvel à vista. As taxas de juros continuam exorbitantes. As parcelas podem ser pequenas, mas taxas de juros são altíssimas para uma moeda forte como o real, alerta o consultor.
Para Boriola buscar créditos junto a financeiras para aquisição da casa própria nem sempre é uma boa opção. Sendo assim, em vez de fazer um empréstimo junto às empresas de créditos, o ideal é juntar um bom dinheiro para dar de entrada e assim amortizar o valor financiado. Utilize todos os recursos a fim de minimizar as parcelas, sempre que houver sobra de dinheiro. O recomendado é que não entre em financiamentos, mas, se for a última alternativa, procure sempre poupar antes para não sofrer no futuro, recomenda.
Casal juntou dinheiro
A recomendação foi seguida por Washington e Marta Romão, que durante três anos planejaram e buscaram uma nova casa que atendesse às necessidades da família e fosse na região de Sobradinho. O casal, que mora em um imóvel da família em Brazlândia conta que tentou juntar o máximo de dinheiro possível enquanto procurava o imóvel desejado. No final do ano (2008) achamos uma casa maior, com espaço e segurança para as crianças. O imóvel fica próximo ao trabalho de Marta e da família dela. A infra-estrutura de serviços, comércio e escolas foi outro fator importante na escolha. Queremos qualidade de vida para nossa família, frisa Washington. O casal tem dois filhos: Yasmim, de quatro anos, e Yago, de dois.
O pai conta que de dezembro, quando encontraram a casa, até fechar negócio e o financiamento foram menos de dois meses. O financiamento foi feito através da Caixa, usando os recursos do FGTS conjugado ao valor economizado e à venda de outro imóvel de menor porte. Foi muito mais fácil do que imaginávamos. Estávamos com a documentação necessária e tínhamos mais de 50% do valor do imóvel. Na realidade, o montante do valor atingia os 80%, mas optamos por deixar um valor destinado para a reforma da casa, comemora Washington.
Carta de crédito é uma opção
A Caixa, instituição mais tradicional e líder no setor de financiamiento habitacional no país, além do financiamento via FGTS (mostrado anteriormente), dispõe da carta de crédito SBPE e do consórcio imobiliário.
A carta de crédito SBPE é uma linha de crédito que permite o financiamento de imóveis residenciais novos, em até 30 anos. Ela utiliza os recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e pode ou não estar enquadrada nas condições do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), dependendo dos valores do imóvel e do financiamento a ser adquirido.
O candidato a mutuário não pode contrair prestação superior a 30% da renda familiar apurada, em função da capacidade de pagamento.
Os documentos pessoais necessários do proponente e de seu cônjuge são as cópias e originais do RG, CPF e comprovante de estado civil. Declaração do imposto de renda último exercício e recibo de entrega à Receita Federal ou declaração anual de isento daí último contracheque. Para análise de crédito é necessário levar o último comprovante de pagamento de água, luz, telefone, aluguel e condomínio (se for o caso).
Extrato de conta bancária do último mês e as três últimas faturas de cartão de crédito, comprovantes de outras despesas declaradas na ficha cadastral (financiamentos, plano de saúde, consórcio, crediários, etc) e comprovantes dos bens declarados na ficha cadastro. A documentação do imóvel inclui a certidão atualizada de inteiro teor da matrícula do imóvel original (validade de 30 dias), comprovante de pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano do exercício atual
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