Venda de casas de até R$ 80 mil cresce 30%, diz Secovi

12/03/2009


O setor imobiliário teve um 2008 especial em Bauru. Na cidade, a venda de imóveis com valores entre R$ 20 mil e R$ 80 mil cresceu cerca de 30% no ano passado em relação a 2007, segundo dados do Sindicato da Habitação (Secovi), entidade à qual são associadas 20 das cerca de 180 imobiliárias que atuam no município.

A relações públicas Anauá Moreira foi uma das pessoas que adquiriram imóvel no ano passado. Após passar nove anos pagando aluguel, decidiu transformar o sonho da casa própria em realidade. Neste processo, contou com a ajuda do pai, que deu um apartamento de presente para ela.

“Estudei em Bauru e não tinha intenção de ficar na cidade, mas criei raízes e decidi investir no imóvel próprio. Meu pai foi quem me ajudou. Ele me deu um apartamento e eu vendi para dar a entrada na minha casa”, conta Anauá. “Dei a entrada e financiei o restante do valor em 20 anos. Foi muito vantajoso, pois o valor de cada prestação é metade do que pagava mensalmente de aluguel”, acrescenta.

Ela comprou um imóvel no Núcleo Habitacional Beija-Flor no valor de R$ 65 mil. Agora, já prepara a mudança e aguarda a liberação para entrar no imóvel. “Financiei pela Caixa Econômica Federal e foi um processo burocrático e não muito rápido”, conta a relações públicas. “O bom é que consegui comprar o imóvel em um bairro que fica próximo ao meu trabalho e também da faculdade”, finaliza.

Para este ano, o coordenador do Secovi de Bauru Paulo José Aiello aposta no contínuo crescimento do setor e também na expansão da região norte da cidade. “A expansão da (avenida) Nações Unidas para aquela área, a instalação de um hipermercado e de uma faculdade vão valorizar a região”, assegura o empresário.

Demanda

Na avaliação de especialistas, apesar de o setor da construção civil estar em expansão, a falta de uma política de governos anteriores voltadas para seu crescimento tem trazido prejuízos para os corretores da cidade, pois a demanda tornou-se maior do que a oferta.

“Faltam prédios e condomínios em Bauru. E, como não tem oferta, o preço cresce”, explica Aiello. “A facilidade de crédito fez aumentar a procura pela casa própria. Como a cidade é universitária, a menina dos olhos são os apartamentos de um ou dois quartos, exatamente os mais difíceis de serem encontrados. Além dos estudantes que procuram esses imóveis, existem os solteiros, divorciados, que preferem os apartamentos menores. E o melhor é que, apesar de pequenos, os poucos imóveis com esse perfil ficaram mais sofisticados”, finaliza.

No Estado de São Paulo, os bancos bateram recordes em liberação de financiamento no ano passado. Foram cerca de R$ 30 bilhões apenas pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Além disso, o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) emprestou R$ 10 bilhões para a compra de imóveis de valor mais baixo ou de interesse social.

Segundo dados do Secovi do Estado de São Paulo, o grande “boom” do setor teve início em 2007, quando o SBPE financiou 196 mil unidades, totalizando R$ 18 bilhões liberados - número 86% maior em termos de unidades e 92% em valores, se comparado com 2006. Já o FGTS financiou 300 mil unidades com R$ 5,8 bilhões em 2007. Para este ano, o orçamento aprovado com relação aos recursos do FGTS para habitação popular são de, aproximadamente, R$ 12 bilhões.



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Financiamento

A partir dos 18 anos de idade, os interessados em adquirir a casa própria já podem utilizar o financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF). Para isso, é preciso comprovar renda mensal de, no mínimo, um salário mínimo e ter quatro holerites, além do registro em carteira.

Segundo a representante da Caixa em Bauru, Maria Geralda Ferreira Pavani, as parcelas do financiamento não podem comprometer mais do que 30% da renda familiar e, no sistema utilizado pela instituição, as parcelas do financiamento são decrescentes.

http://www.jcnet.com.br/editorias/detalhe_economia.php?codigo=151741


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